De trabalhador a trabalhador
Eu vejo a chuva cair/
Na tarde de sol ardente/
E vejo lá em baixo você/
Que sobrevive a luta/
De cada dia a dia/
Nesse estado carente/
Que mais quer te ofuscar/
Por trabalhar na feira/
Ou em qualquer outro lugar/
Por trabalhar/
Que asneira/
Eles fazem apologias/
Aos seus vulgares interesses/
Mas vejo você/
Como a luz costeira/
De um sol nascente/
Sempre resiliente/
Vejo você seguir/
Cambaleando/
Sobre suas forças nas calçadas/
Como um Cristo existente/
Entre dores e mágoas/
Que a bebida não dá conta de curar/
Com a mesma roupa/
Da semana passada/
Cansado, caçado/
Cansado caminha pro amamhã/
E depois pra feira tornar a voltar/
Grita a desesperar/
Grita pra chamar /
O povo que passa/
Pra comprar a sua verdura/
Acesa, exposta na banca/
Do ver o peso/
A fim de sustentar/
De cuidar de sua familia/
Sabendo que o seu filho/
Sua filha precisa valorizar/
Eles precisam da educação/
Vestimenta, caderno e sapatos/
Pra tirar o pé do chão/
Pra nunca passarem/
Por tanta humilhação/
Diante da mesa/
Sempre agradece a Deus/
Mas aceita a ignorância da televisão/
Ouve que do governo receberá/
Isso ou aquilo/
Que receberá bolsa escola/
Que vão dar refeição/
Que a vida vai melhorar/
Com o passar das horas/
Sabe pelos vizinhos/
Que sua mãe faleceu/
Por falta de medicação/
Que foi nomeado pelo governo/
Alguém, que escondeu dinheiro/
No calção/
Que um traficante foi absolvido/
E saiu da prisão/
É assim, que os representantes/
Se preocupam com a nação/
Quando enfim/
Chega em casa/
Com a certeza duvidosa/
Do sossego do lar/
Um bom banho/
Algo pra jantar/
Mas as vezes encontra a polícia/
Em seu portão/
Encontra alguém, com mal intenção/
Furtando-lhe a paciência/
E as vezes, a vida/
Que em qualquer canto/
Desse imenso país/
Vale menos, que um tostão/