A mãe lavadeira
Entre um balde e outro/
De água fria/
Que escorria a gastar/
Entre um balde /
E outro com goma aquecida/
Na disputa bem humorada das lavadeiras/
Pela única torneira/
Daquela vila/
Se podia ouvir no silêncio/
Das muitas vozes/
Ela cantar/
Uma canção de ninar/
Embalando na rede/
Qual acomodava seu pequeno/
A trocar o seu coeiro/
Após o banho de banheira/
Como um valsar/
Com o pipo na boca/
Todo entalcado/
Ele ia e vinha/
Abria e fechava os olhinhos/
Entre uma passada e outra/
De ferro, ainda em carvão/
Das roupas tiradas do varal/
Secadas pelo sol/
Que iam a mesa coberta/
Com um pano grosso/
Pra dar suporte/
Numa passada e outra/
Ela já cansada/
Encontrava na cantiga/
E no olhar adormecido do pequeno/
A força necessaria pra rimar/
A sua batalha/
No ir e vir da rede/
A orquestra da escapula/
Com a chuva já gotejando o telhado/
Ela cantava/
Ele adormecia/
E ela, mesmo cansada/
Já colocava o tempero e o jabá/
Na panela que fervia/
Com a àgua e o feijão/
Tirando do arroz a àgua/
Pro mingau/
Que ela, concluia com alegria/
Em mais um dia/
De lida/