O POETA COMO COISA.

Lá fora nada me desperta

nem o miado do gato,

nem o ladrar do cão.

a vida está seca ,

a solidão é um desastre,

me recolho nas minhas cascas,

bebo o que há dos teus olhares,

sou pernas que tateiam o pântano ,

da árvore que vi remoçar nesta

Primavera.

Guardei a vivacidade das folhas

que nem sabem que no outono

iram cair.

veja, estou ácido, minha caneta

é que traça meu caminho.

Não sou dono desta massa

que me realça.

Nem da essência que reflete meus olhos.

Agora me defino como animal perdido

no seu universo .

Por exemplo, quero escrever

tudo de marginal que o dia me ofertou,

Mas, me restou o cão e o gato,

ah, me lembrei da árvore e da primavera.

veja como estou perdido...

Estou neste polo,

nele sinto a falta do seu colo,

do teu olhar já cansado,

das tuas mãos longevas,

De quando dizia, você era levado.

Agora, neste exato momento.

Caiu uma lágrima da tua ausência.

Líquido quente, e cortante.

Que me mata e me incinera.

Era bom ter tua capa

Cobrindo meus medos.

Restou hoje minha fraca figura,

Refletida neste copo.

Querendo voltar ao passado.

Divino Ângelo Rola
Enviado por Divino Ângelo Rola em 08/12/2024
Código do texto: T8214319
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