O POETA COMO COISA.
Lá fora nada me desperta
nem o miado do gato,
nem o ladrar do cão.
a vida está seca ,
a solidão é um desastre,
me recolho nas minhas cascas,
bebo o que há dos teus olhares,
sou pernas que tateiam o pântano ,
da árvore que vi remoçar nesta
Primavera.
Guardei a vivacidade das folhas
que nem sabem que no outono
iram cair.
veja, estou ácido, minha caneta
é que traça meu caminho.
Não sou dono desta massa
que me realça.
Nem da essência que reflete meus olhos.
Agora me defino como animal perdido
no seu universo .
Por exemplo, quero escrever
tudo de marginal que o dia me ofertou,
Mas, me restou o cão e o gato,
ah, me lembrei da árvore e da primavera.
veja como estou perdido...
Estou neste polo,
nele sinto a falta do seu colo,
do teu olhar já cansado,
das tuas mãos longevas,
De quando dizia, você era levado.
Agora, neste exato momento.
Caiu uma lágrima da tua ausência.
Líquido quente, e cortante.
Que me mata e me incinera.
Era bom ter tua capa
Cobrindo meus medos.
Restou hoje minha fraca figura,
Refletida neste copo.
Querendo voltar ao passado.