Terra Bruta

Nas entranhas da poeira/

Sob o âmago do sangue/

Que bebê o chão/

Dessa miséria/

Veja a artéria/

Desse corpo vil/

Desnudado no solo de uma violência/

Da inconsciência desse Brasil/

Divididos até a alma/

Pela lascívia da hipocrisia/

De uma discriminação /

Com angústia de azia/

Quem te anistia/

Desse caos/

Nem a coragem te liberta/

Dessa escravidão que professas/

Porque tuas correntes são da ambição/

A corrupção fatídica/

E não me surpreende se tua vaidade/

Consubstanciada de egoísmo/

Não alicerce toda essa horda/

Cuja Democracia em edição/

Apenas se afoga/

Pena de ti, ó liberdade/

Que nem os idealistas/

Envolto sob facistas /

São capazes de gritar/

Muito me entristece/

Ver os jovens comprometidos/

Com essa doença/

A idolatria do nada/

Que come os seus sonhos/

Turvando de dores o futuro/

Um país, de um dia/

Vivia submerso de alegria/

Pão e fantasia/

Acordando do pesadelo/

Que eles riam/

Nem podeis o pátria minha/

Ver contente a mãe gentil/

Pois quem pranteia/

Na cabeceira dos rios/

São os filhos contra os pais/

Sem saber ao certo/

O que dizer de ordem/

Nesse recesso/

A confusão parece salutar/

Pois são tantas feridas abertas/

Que é melhor deixar sangrar/