O Toque Invisível
À beira-mar, senti uma mão
Tocar meus ombros com suavidade,
Mãos de cambraia, que na areia traçavam
Palavras como as do inventor do mundo.
Mãos que liam meus versos de amor,
Que compreendiam a alma do perdão,
Amavam como o amor mais puro,
E perdoavam como quem sabe pedir perdão.
Mãos que falavam com a sabedoria dos sábios,
Transmitindo um calor manso e intenso.
Mãos de cambraia, delicadas e firmes,
Que tocaram meus ombros,
E, no instante em que virei para vê-las,
Desapareceram como um sopro divino,
Deixando no ar a certeza silenciosa
De que não estava mais só.