Mulher 

Rosângela Trajano

 

A mulher não rodopia no ar
Ela baila em chão duro até cansar os pés
Costura saberes em sementes de benquerer
Numa insistência de crescer em vaso vazio
Olha horizontes pisoteados pelo acaso
De uma busca que se faz fortaleza
Na oração aos Orixás dos rios e mares
A mulher guarda três lírios
Dentro de uma ansiedade solene
Porque precisa sorrir à inquietude
Dos dias mais brancos que as nuvens
Quando a alma sangra nódoas
Opressivas pela clara luz da vela
Tem ferrugem no verso do Apocalipse
Nem inverno, nem outono, barco à deriva
Sim, choram os bravos lugares desertos 
Por onde nunca passará seu olhar
A mulher veste noites corajosas
Preâmbulo de batalhas resistentes
Mito é o dente que não mastiga valentia
Ouve guizos seculares em ossos de mortos
Cantarem uníssona medida entre dias e noites
Sonhos, esperança, ousadia
A planta cresce na passagem das horas

Rosângela Trajano
Enviado por Rosângela Trajano em 08/03/2023
Código do texto: T7735619
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2023. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.