ARREMESSOS

Eu, sim, bem sei,

Que esperar-me assim sozinho,

Num vazio que devassa

O fitar ao léu o poente

Semeado de saudades.

Eu, sim, não sei,

Que esperançosos verdes olhos

Teimam em sonhos me ver,

Irradiando um céu ausente

De carências e vaidades.

Eu, sim, não sou,

Um arresto de desejos,

Quiça gotas de lágrimas

Pingando fel no coração,

Drenando minh'alma sombria.

Eu, sim,  vou ser,

Um arremesso certeiro

No cerne da coragem,

Decifrando egos e eus, 

No causal evoluir perene.

Cesar de Paula
Enviado por Cesar de Paula em 30/09/2022
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