Mortos de sede

 

 

 

Sentir, tanto na vida quanto nos sonhos

um jeito de pisar o chão ...

fechar de vez em quando, os olhos, desejar

caminhos de brisa, e muita serenidade.

Entregar-se com amor, a qualquer estação.

 

De tempo em tempo parar, ouvir os ventos,

perder-se em simples emoção,

de fazer parte de um lugar campestre,

sem ser abrigo, porto, ninho, ser, ser somente.

Sem expectativa ou decepção.

 

Sem limites, ser seu deserto, na solidão caminhar

em solo frio, ou quente, solo tristeza, de um amor,

que não abraça, por não poder, tê-lo por perto.

 

Deixando-se levar, sonhando, ir sonhando

com coração contínuo, de aves, de galhos floridos,

de cantos, de outras árvores desfolhadas, secas,

que se vestem de verde, ramos protetores, flores

adornando sonhos perdidos, mortos de sede.

 

Flores que servem para colorir, o vazio de não ser

amada... elas são enfeites, reanimam a alma triste,

que vai sem pressa em sua estrada.

 

Cheiro de mato, sente, de flores silvestres, ânimo,

fugir para morar dentro duma alma campestre ...

 

Sonhar, sentir, voar sem medo, para muito além,

alma distante... segue mirando, ou até cantando,

a sua dor pela distância de alguém.

Alma adulta, calma, sozinha, sonha dentro da realidade,

esquece de tudo, descalça, nua de toda esperança ...

sentimentos, beirando os rios, riachos, ou mares,

de saudades e de desejos vazios e lembranças.

 

Liduina do Nascimento
Enviado por Liduina do Nascimento em 05/03/2022
Reeditado em 13/09/2022
Código do texto: T7466142
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