ATRIBALMENTE

Sigo assim, como um pedaço descolado do meio.

Toco minha pele a procura das modernas tatuagens;

Não as tenho na carne, mas são muitas as marcas metafísicas.

Essa epidemia de formas coloridas em destaque compulsório de existência.

Não sigo correntes, apenas as arrebento bem no íntimo do meu ser.

Porque sempre procuro a obviedade furtada das essências.

Toda a liberdade está algemada!

Nunca acredito nos discursos. São muitas as cacofonias das más intenções.

Meus gols? Todos silenciosos.

Não acredito na verdade, tampouco na caridade das mãos em auto evidência.

Sigo quase descolada...mas sempre grudada em mim.

Não tenho cor porque desbotei minha pele sob as falácias que enganam minorias.

Com quem adormeço e revivo... não interessa a ninguém.

Acho pobre sobreviver das vaidades advindas dos atributos só emprestados pelo Criador.

Acredito no mérito das existências que buscam...e mais ainda: no das sobrevivências.

Na plateia dos nadas, sou tênue nuança imperceptível dentro dum arco-íris sem céu.

Não tenho agremiações. Desconfio de todas elas.

Não resisto a nada nem a ninguém, apenas traço meu caminho.

Minhas letras são simples...e nunca vislumbraram as numeradas cadeiras das academias das políticas luminosas.

Troféus sempre se curvam aos interesses de outrem.

Minhas letras apenas cumprem seu papel...o de tomar fôlego.

Nenhuma falsidade reverbera em mim.

Sigo fora da moda dos tempos, pelas contra-mãos de toda idas e vindas.

Acelero apenas no meu ritmo porque a velocidade me assusta.

O emocionante é chegar sem atropelar ninguém.

Escolho a estrada embora ignore todos os destinos.

Então, sigo.

Atribalmente, assim.

Sem absorver as moléculas do carbono espargidas nos ares.

Como um café forte, não adoçado, sorvido depois do cansaço pleno de se ser plural...sempre no singular.

E a dispensar as mentiras pífias dos tantos doadores de falsificados açúcares.