corpos

Corpos tristes são e estão dispostos ao controle

São dóceis, porque tristes e frágeis. São alvos a descoberto em noites frias. São desejados e expulsos tão logo saciam a libido alheia. São só corpos. Amontoados, uns sobre os outros, por isso, só corpos, sem nome, sem maciez, sem brilhos. São estrelas no limiar de suas existências. São seres caídos, sem amparo, se anteparo, sem abraço, sem boas vindas. São corpos esquecidos porque lembrá-los significa reconhecê-los importantes. Significa reconhecê-los dotados de direitos; isso, ah, isso ninguém quer; desestabiliza o sistema e a ordem, dirão os exploradores de corpos. E então, o disparo, a bomba, a prisão. Tudo para se manter a ordem. Tudo para não desestabilizar a paz, tudo para não balançar a fé, eis, eis a mecânica. Eis a engrenagem, a graxa, a roleta. Bingo! Você é o novo ganhador. Nada mais triste que um corpo comprado.