NADA PARECIDO

Olho para mim e:

não tenho pés de poeta,

cara ou fuça de poeta,

ombro, nariz,

nem mãos de poeta,

menos ainda omoplata,

nem peito estufado,

nem sobrancelhas,

nem artelhos...

Tenho, sim,

um paletó surrado,

os bolsos cheios de papéis,

umas idéias sobre novos versos,

já não bebo,

nem fumo,

sumo

dentro da minha cabeça...

Creio porque crer

é não ter

certeza de nada,

é se saber possuído e não posse,

a palavra poeta

me causa tosse,

sei, sim,

que gosto de tamarindo

e água com gás,

é por isso que vivo rindo

e, de escrever, sou capaz...