VENHA LER O MEU POEMA

Quero tanto te falar

Que te amo

Ou te odeio

O telegrama não chegou

E o carteiro não veio

O telex aposentou

Deletaram meu e-mail

O mar não levou a garrafinha,

Tentei o pombo-correio

Serenata em tua janela

Mas me bateu um receio

Colei cartazes nos muros

Esgoelei no megafone

Até apelei pra sorte

Gritei bem alto teu nome

Fui ao Itamarati

Fiz até greve de fome

Galguei o monte Parnaso

Compus versos concretistas

Botei letra pós-moderna

Na boca de um artista

A editora não divulgou

Nem o jornal, a revista

Vou esgotar a última chance

Até saber que eu exista

Penso em fazer um ebó

Ou rezar uma novena

Apelar pra outras formas

Não sei se vale a pena

E mesmo aqui trancado

Nesta triste quarentena

Espero que pela web

Venha ler o meu poema.

Seu apelo foi concedido

Li tudo letra por letra

Nós somos xará no nome

Também xará de caneta

Escrevemos noite e dia

Pra que nossa poesia

Ilumine esse planeta - JOEL MARINHO

Joel de Sá
Enviado por Joel de Sá em 31/05/2020
Reeditado em 06/06/2020
Código do texto: T6963308
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