O Meu Poema

Meu

poema está vago e do meu poema,

dentro

Suspenso

entre linhas,

atônito e

inacabado.

Rasgo, raso,

giro,

giro

e gira

na

incerteza

de um acento

ou

tropeça se, desatento, à leveza de uma vírgula.

Meu poema tem pressa e tem pressa porque finge

e finge porque range e range porque (só) tange.

Desfigurado,

meu poema não tem nenhum como,

como despe-se das estrelas,

algum nascente.

E desta noite, meu poema não amanhece, entristece,

aborrece. Rasura e cinza, envelhece.

Meu poema luta na luta de classes,

omite meu nome, omite minha face (eu, já tenho uma?) mas fala dos juros

e quer desapropriar o banquete de um burguês.

Jeronimo Collares
Enviado por Jeronimo Collares em 28/03/2020
Reeditado em 21/03/2023
Código do texto: T6899247
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