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E você... sonharia com essa manhã?

O desejo de que nossas dores fossem um alívio um pro outro me torna frágil aqui, pensando...

Na mão tocando a grama úmida, no sol baixo respeitoso à tua pele e na brisa com o cheiro das folhas. Nos teus cuidados com o açúcar no café e os meus com o carinho... rosto no rosto... toques ao acaso. Estamos sentados naquela minha manta velha que me acompanha desde o nascimento, que de tão velha peca ao nos deixar de bunda molhada! E nós rimos! Pobre manta que só sofre! Cheia de farelos dos pães e bolos que fizemos disputando quem cozinha melhor... e não que eu sonhasse em ter alguma chance...

Em nossa imperfeição pouco calculada, julgamos as pessoas que passam, as que desfilam, as que existem, assim como nos julgam pela nossa estranheza partidária. Das nuvens tiro um elogio sincero... e da minha memória alguma ironia envolvida para te provocar... entre um "Esquece isso, dramático!" e um "No soy dramático Emanuela Augusta" percebemos que o tempo-espaço também é relativo aos nossos corações, estamos viajando na velocidade de qual paixão?... e mais uma vez rimos, dessa vez do exagero mexicano dos influenciados pela casa de câncer.

Nas conversas perdidas nos dizeres com poucos saberes, nessas tuas risadas frouxas que encontram minha idiotice como Simba encontrando Timão e Pumba... voa lá, nosso hakuna matata bradando uma estrada, um carro velho, a soma das nossas músicas e o frio na barriga... talvez no caminho eu te conte tudo, tudo aquilo que me faz te emprestar a minha vida como poesia... querendo saber quem sabe como o destino nos dirá se, na simplicidade, teremos nosso lar.

No momento que meu intelecto duvidoso navega nos causos em você criados... lá onde o encanto mora, onde não sei ler o livro no qual estamos escritos... talvez desenhados, com figuras infantis de cenas como as que estamos vivendo... com lápis de cor fluorescentes e marcas vermelhas de beijo. Lá onde pactuamos a nos obrigar, por prazer, a registrar sonhos que antes não deixamos viver. Lá onde os sorrisos feitos em presença aprendem a no passado refletir.

O desejo de que nossas dores fossem um alívio um pro outro me torna frágil aqui, pensando... e você... sonharia com essa manhã?


Pedro Henrique Miranda
Enviado por Pedro Henrique Miranda em 05/12/2019
Reeditado em 05/12/2019
Código do texto: T6811209
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Pedro Henrique Miranda
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 32 anos
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Pedro Henrique Miranda