TEMPO

Pai da noite

Mãe do dia

Trono dos justos

Templo consolador dos aflitos

Volta do pródigo filho

Entranhas da alma gerando alegria.

Rio de lágrimas

Cachoeira de sorrisos

Que em sete quedas renasce

Prensa das duras horas

Dor que nunca se acaba

Átimo no perene desejo

Volátil felicidade vigiada.

Ruptura de rejeitos

No chão da ganância represados

Mão pesada do Criador

Revolvendo o solo maculado

Rasoura que aniquila o egoísmo

Onde escravo e senhor são adubo

Nivelando novamente o solo machucado.

Mão suave da Mãe Terra

Ponto a ponto

Costura eternamente remendada

Unguento de todas as feridas

Útero cósmico, regresso

Para o vil e para o justo

Nova viagem programada

Mistério...

Alimento generoso

Entre o casulo e a asa.

Stella Motta
Enviado por Stella Motta em 27/01/2019
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