ALMAS PENADAS

Bem-vindos os que acham alívio nas nuvens carregadas

Sintam-se à vontade aqueles que do cadafalso escaparam por pouco

E choram por isso...

Aceitem e participem do banquete os devotos do desvario

As almas penadas que não conheceram a morte

E os vivos que penam por teimosia e insistência na velha roda enferrujada...

Abençoados os sodomitas que retornaram do Cáucaso

Gentis sejam os que recepcionam meus amigos guiados por Virgílio e esquecidos na viagem

Nos grotões da velha estiagem

Dê-me um motivo e uma canoa

E transporei cada oceano por uma certeza

Assim como viverei pra dar boas-vindas

Ainda que morra finalizando-as...

Benditos enfim sejam meus filhos não-nascidos

Sigam-me nas estradas e nos morros

Nos declives e aclives

Nas ressacas e nos orgasmos

Nas danças e nos choros

Nas leis e nas desobediências

E então vamos enfim ao fim

Fim de mim, fim de algo, fim da retórica

Fim da norma culta

Fim da encheção de saco

Fim do medo do trocadilho acima...

E aguardemos as certezas que ficaram pelo caminho

Masquemos fumo nesse percurso

E depois vomitemos uma saliva velha e encardida, tóxica e opaca

Que será eterna

Mas não a última.

Caio Braga
Enviado por Caio Braga em 05/11/2018
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