O MAIOR SEGREDO

Ando com os olhos postos num ponto qualquer

À espera de encontrar um semblante amigo

Mas todos os rostos escondem uma complacência

Como se tudo fosse um despropósito.

Ante as amarguras insisto que nada é real

Sem convencer de fato o meu pensamento

Olhando a chuva deixo de ser quem fui

E me sinto voando, como mosca ao vento.

Vejo coisas empilhadas, carros na avenida

E o tempo passa imperceptível, como um sopro de ar

A chuva é tão antiga quanto qualquer coisa

Mas sinto que lhe quero bem, que lhe desejo amar.

As pessoas vão passando sem interesse, seus

Olhos estão mortos para os acontecimentos

Cada dia é uma repetição, embora todo o tempo

Seja apenas aproximação e medo.

Quando as coisas vão fazendo sentido,

Temos pressa e pensamos no amanhã como antes.

E tudo se fecha em si como se a verdade

E não a mentira, fosse o maior segredo.

João Barros
Enviado por João Barros em 16/10/2018
Código do texto: T6477947
Classificação de conteúdo: seguro