Passo

Passo

maria da graça almeida

Passo como passa a folha levada

pela insensatez do vento,

no jeito de ir sem sentir,

no modo de sair sem querer,

na forma de cair sem pedir.

Passo como passa o pássaro,

que sem a anuência do divino,

põe um ponto clandestino

na palidez do horizonte.

Passo como sem compasso

passam as gotas da chuva,

que por pressa ou, preguiça

descem sem escolher o caminho

e mesmo ao léu, sem destino,

invadem os poros da terra.

Passo e, díspares, imprimo veios

que caminham inconseqüentes

que se encontram em nascentes,

e se perdem em afluentes.

Passo, passo a passo,

com tropeços, com cansaço,

nas passadas dos percalços,

sem a dose do alento,

nos segundos do momento,

nas voltas, nos nós e laços,

nas idas e voltas do tempo.

Passo e na dor do movimento,

piso um passo sem ungüento.

Passo...

maria da graça almeida
Enviado por maria da graça almeida em 11/03/2005
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