Mil perdões...
Perdão alteza,
se minha poesia é mixa
e fere como uma lixa
olhos e ouvidos de vossa nobreza,
uma vez que vossa realeza
só é acostumado com a delicadeza
dos versos em madrigais
de suntuosos pardais;
já o meu versejar,
é o lamentar rude e doloroso
de uma gralha a gralhar...
Perdão alteza,
se meus versos, como tal, são um lixo,
meros cacos de vidro, mixos
e não frondosos cristais,
é que meus ais,
é o som do meu coração em ebulição
fervendo, ardendo, tremendo de emoção,
e por se emocionar,
tem a real necessidade de gritar
e grita ao declamar versos chulos, doloridos,
de quem não pode mais se calar...
Agora, se vossos ouvidos,
Estão, tão somente acostumados às painas,
é uma pena, e rogo te, mil perdões,
pela minha poesia mixa,
ferir vossos tímpanos límpidos...
pelo asco do meu versejar
trazer em sua essência
a lixa dos capinzais,
e não, a grama suculenta,
que vossa excelência
é acostumado a pastar!
2018