TROCO
Meu tio era do comércio.
A caridade é cautelar.
Livros?! Melhor esconder que emprestar.
Tem coisas, entretanto, que não vendo,
Entre tantas que não dou, que não empresto.
Tentei trocar, por gaiolas, versos;
Não salvei sequer um melro.
Poemas , insistirei, troco
Mas vou diversificar
Para encontrar meu mercado.
Aceito como escambo,
Além dos alçapões para aves,
Armas de fogo de pederneiras,
Armas de assalto semi- automáticas.
Armas brancas, de qualquer letalidade.
Armas de caça,
Tiro curto, tiro longo,
Garrucha de dois canos,
Rifle de repetição.
Confie,
Destruirei o mecanismo de repercussão;
O fuzil da espoleta,
Separarei o gume da aflição.
Ofereço,
Alça e massa
Cadência na rima.
Rajadas no coração,
Alma raiada de emoção!
Meu tio era do comércio:
- Guarde o troco!
Ou compro balas?!
Balas ou munição?!