Saneamento básico

Que ironia atroz

Nenhuma cabeça no cadafalso

Deixaram inativo um algoz

Nada parece tão falso

Bastou uma execução

E o mundo ficou sem pecado

Um féretro sem oração

Caiu no cesto um vício, um fado

A terra viu-se de alma limpa

Lavaram os pecados do mundo

Entre os juízes ninguém garimpa

As nódoas do submundo

Bastou que rolasse uma cabeça

Cumpriu-se apenas uma sentença

A sorte que andava às avessas

Desfez-se assim a diferença

Sobrou na tribuna o magistrado

Que definiu o bode expiatório

Ficou um verdugo desempregado

Registrou-se a injustiça em cartório

Roberto Chaim
Enviado por Roberto Chaim em 26/01/2018
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