Soneto da vida

No limiar da vida já tão cedo

Negaste ao mundo tão vã cortesia

A dar-lhe o choro quando ele o sorria

Com afago paternal que aplaca o medo.

A seus olhos, tu eras mor mancebo

E a ti chegava inteiro em primazia

E de sonhos incólumes preenchia

O teu barro esculpido em pó de efebo.

Mas ao chegar do ocaso apetecido

Que a fogueira do tempo em si abranda,

Nela deixaste teu dom esquecido

Que a ti foi dado como merecido

Pelo mundo que em tudo nele manda

E à tua ausência jaz convalescido.

Damao
Enviado por Damao em 09/12/2017
Código do texto: T6194368
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