DEPORTAÇÂO

Eu vou me candidatar! É... E se eu ganhar...

Não vou aceitar imigrantes clandestinos,

zanzando por aqui, no meu lugar.

Se eu ganhar...

Mandarei expulsar, as areias e as pedras

as chuvas, que cruzam as fronteiras, todos

os dias... As enxurrada as encosta dos morros

o temporal com trovoadas os relâmpagos, os

degelos, e também as labaredas dos fogos.

É... Eu vou me candidatar, e se eu ganhar...

As águas dos oceanos, que fiquem por lá

não quero leito de rios, cruzando p'ro

lado de cá. Não quero, voar de águia imigrando

ou voou de falcão, peneirando no meu ar.

Não quero, tempestades de chuvas de lá...

Nem assopro de tufão ou ciclone, cruzando

a cerca da minha nação. Se eu ganhar!

Não quero lua de lá, com seu lençol de prata,

prateando o lado de cá! Nem esse sol de lá...

Atrevido! Olhando meu torrão tão belo, com

esses seus raios amarelos, todos descabidos...

Cruzando a minha fronteira sem nunca

bisbilhotar. Se eu ganhar...

Mandarei expulsar, as chuvas e os temporais,

o anoitecer e o amanhecer que não tiverem

passaporte, assim também, como os rumos

do sul, e do norte. Se eu ganhar...

Deportarei as estrelas de lá, esse tempo

dividido, que por aqui apareceu, e essa

velha estação do ano, filha de outra nação,

essas religiões e os afoito de Deus.

Deportarei as doenças de lá, as curas e os

remédios com, essa dama da foice que nos

visita pelos momentos baixos dos dias...

E pelas altas horas das noites.

Deportarei as modas as poesias as musicas...

Deportarei as artes cênicas o humor o riso

a alegria, vindos de outras terras, pousando

em nossos dias. Se eu ganhar... Deportarei

os pássaros e o arco-íres esse céu que

também cruzou o mar, com o seu azul incrível.

Antonio Montes

Amontesferr
Enviado por Amontesferr em 04/12/2017
Reeditado em 04/12/2017
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