Eterno sem querer.

Tantos livros inciados e não terminados!

Outros tantos escritos e não começados.

Uns que sempre falam de saudades,

Outros do desejo fugaz de poder viver.

Porém, nenhum me diz onde está ?

O prazer que eu tinhas ao escrever.

Não está mais aqui dentro de mim!

Não era de fadas o conto, não escrevi.

Tantas presenças cheias de ausências!

Tantos diálogos em que ninguém diz nada!

Todos os caminhos não levam a nada,

De modo que tenho certeza que morri.

Mas, infeliz eu sou obrigado a viver.

E então como um meio de protesto.

Tenho vivido, mas veementemente detesto

O fato de nunca mais poder morrer.

Às palavras me fizeram eterno sem querer.

Uil.

Elisérgio Nunes
Enviado por Elisérgio Nunes em 26/09/2017
Reeditado em 26/09/2017
Código do texto: T6125807
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