FUMO

O fumo que leve

foge entre meus dedos

é o mesmo que me leva

a fugir deste meu medo.

A procurar uma saída

para os meus problemas

que no dia-a-dia da vida

vão se compondo feito poemas.

É este mesmo fumo

que me devolve a paz

quando eu o consumo,

deixando a fumaça para trás.

O fumo que me distrai

vai aos poucos exalando

a dor que me contrai

enquanto o tempo vai passando.

No fumo que ficou perdido

à borda de um cinzeiro

vejo o quanto fui esquecido

pelo os meus companheiros.

E é para aliviar a dor

desta minha realidade

que no fumo sinto o sabor

das antigas amizades.

Nova Serrana (MG), 29 de outubro 1984.

Tadeu Lobo
Enviado por Tadeu Lobo em 18/09/2017
Reeditado em 18/09/2017
Código do texto: T6117965
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