Perfumado

Perfumado

Eu poderia te esperar por todos os motivos do mundo

Mas somente vou te esperar por mim mesmo, sério

E sabendo disso espero que me perdoe pela exigência

É que faz tempo, muito tempo que te espero

E neste dia quero estar de banho tomado, barba feita

Camisa azul passada e engomada, cabelos cortados

Unhas limpas, paletó com lenço, e densamente perfumado

Eu poderia te esperar para juntos jantarmos á luz de vela

E depois sair a passear de braços dados pela cidade nua

Mas somente me sentaria ao teu lado e seguraria sua mão

Que penso ser feita de brisa, de pele calma e delgada

É que te pretendo faz tempo, tanto tempo que não me lembro

Sei que já passei noites inteiras com os olhos mortos de sono

A te esperar na janela, ate aguardar de pé no escuro do quarto

E tu não vinhas, não chegava manso e cordado como te penso

E na febre da loucura de quem espera, mais esperava

Mais me ansiava, aparvalhado, cansado, desgostoso

E tu parecias brincar com minhas misérias encardidas

Que enfim dormi dentro da noite azulada por trás da cortina

E então acordei talvez em sonho, dentro de um sonho

E te percebi ao meu lado de dentro, do meu avesso

E senti teu perfume no meu cheiro de homem lavado

Ah, como te esperei em vão, sem saber que esteve aqui

Sempre aqui, dentro dos meus olhos míopes e gastos

Na textura rígida da minha pele, em meus sentidos

E te senti pregado em mim como um cristo na cruz

E te chamei pelo nome, e te reconheci belo e simples

E de ti que falo em prece, em silêncio, em loucura

E de ti enlouqueço e me saro a todo instante

Chama- me que irei sempre e sempre: amor

Milton Oliveira

07mar/2017

milton antonios
Enviado por milton antonios em 07/03/2017
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