Descolonização
Descolonizo meus versos obedientes,
A prisão da voz que foi bem ensinada,
Sonorizando o permitido entre dentes.
Amontoando panos sujos de injustiça,
Acovardei sempre que adocei verbos,
Ceguei olhos, escondi a mão mestiça.
Exercia meu delírio, fugas em delitos,
Ocultas cavernas de sombras sociais,
Escrevia na pele os poemas malditos.
Na vingança silenciosa eu envenenei,
Decapitei fantasmas em cada página,
A convenção do racional eu reneguei.