saint

Por mais uma manhã, eu me levanto;

Por mais um resplandecer das auroras, me sinto;

Por mais um dia que começa, como por extinto

me faço presente na luz mesmo não estando.

Por esses caminhos vastos e vazios, me busco;

Por mais essa hora do dia, descanso;

Pela natureza presente, me vejo num remanso,

sendo levado por águas claras me deixando confuso;

Mas logo me encontro.

Ouço caricias blasfemando saudades, por tempos sonhei;

O lado das tardes prescrevem, a ansiedade de que chegues as noites;

Em pensar, tudo que era presente hoje chamo de fostes,

somente as paixões desse meu vasto ser, posso dizer que deixei.

Nada é mais belo que as luzes dessas ruas desertas;

Por essa rotina noturna que assola minhas virtudes;

Somente ofuscarei, ao falar palavras insertas,

que meus amores amem sem paixão, não por um abraço,

mas de todo coração.

Pelas madrugadas, ha, pelas madrugadas, me refugio;

Nas arestas, cristalizadas com orvalho, permaneço sorrindo;

Pelas trevas presentes, nada resta desse dia vivido...

Carlos de Morais
Enviado por Carlos de Morais em 24/01/2016
Código do texto: T5521362
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