Soneto pra nordestinar
E pra desestruturar o soneto, cá fica o desespero
Onde para a nação, onde se encontra o conserto?
Burro não é o nordestino, burro é o seu preconceito
Paulista também tem bolsa, também sofre com desemprego
Começando pela pior parte, partindo já do esfalfado
Onde já se viu, ofendendo quem já é quase crucificado
Paulista não tem sotaque, não é desempregado?
Nordestino por diversas vezes é muito bom, abalizado
Paulista é exemplar, não estupra, não rouba, tem água abundante
Paulista quando se trata de negação, é a parte culminante
Parece que é povo enganado pensa que é burguês, mas é só errante
Paulista pensa que é superior, mas é só intolerante
Pensa que sabe de tudo, não admite a própria incapacidade
Mas aqui, entre eu e você, eu prefiro aquele que é de verdade
Não tem essa de paulista, nordestino, baiano ou sulista
Tem aquele que realmente pensa, aquele que conquista
Tem aquele que supera qualquer expectativa, que batalha
Que sabe que a vida não falha, e que se dispõe a melhorar
Já não sendo mais um soneto, como bom brasileiro
Usando as regras pra quebrar, me pondo em outro lugar
Mesmo não sendo de lá, só por ser brasileira
Sugiro a todos pelo menos por um dia, a alegria de nordestinar