Nervos de aço

Faço de conta que conta faço

Daquilo que não faço conta

E nesse fazer de conta faço e desfaço

Refaço conta da conta que faço

E vejo que a conta que refaço

É menos certa do que a conta que faço

Da qual não faço conta

Nem do resultado do que faço e desfaço

Pois daquilo que faço de conta que conta faço

Nunca gostei e por isto

Faço e desfaço

***

Quando os versos conclamam outros versos, acontece uma emoção diferenciada e que só poetas têm o privilégio de sentir. A participação do poeta Hermílio Pinheiro enobrece esta página:

É assim também que faço

Daquilo de que abuso

Descarto-o depois que uso

E jogo fora o bagaço.