Cronos
Como o grande
Titã Cronos
Cá estou
Devorando um a um
Os meus herdeiros
Nas vielas mais escuras
Da cidade
Encontram-se
Os sentimentos
Mais traiçoeiros.
Quantos pais
Quantas mães
Quantos zigotos
Jazem frios
Putrefratos
Nos esgotos
Quantos primos
Quantos filhos
Quantas tias
Sem vida
Boiam nas
Sujas águas frias.
Quantos noivos
Quantos irmãos
Quantas irmãs
Não voltarão
Pra casa
Ao nascer das manhãs.
Quanta coisa
Que parece
Mas não é
O minuto
Em que se abala
A minha fé
Talvez tenha sido
A tal falta de sorte
Numa esquina
Entre tantas
Da cidade
De pavor
Eu esqueci
A minha idade...
Minha alma voou
Só de encarar a morte...