ANGÚSTIA
Na angústia, calado
do quarto de dormir
revejo folhas mortas,
repasso páginas
penso em mim.
Reformulo e sintetizo
ações várias
Alço voos inatingíveis
em mundos meus, íntimos.
Divago sobre amores
nunca vividos
Reconto os elementos
da coleção jamais iniciada
Nesta angústia do existir
Redistribuo sonhos
Espalho mágoas
Insinuo dizeres
que me destoe.
Fisgo desejos efêmeros
como bolas de sabão
A angústia me avermelha os olhos,
me dilata por inteiro
me suga o dia inteiro
me castiga a inocência
de ser
me angustia a angústia
Dela faço o meu existir
Com ela quebro
espaços do interagir
Depois dela não faço
se não agir.