Esse novo espetáculo
Enfim a manhã avança à madrugada
Eu no abrigo da minha sala fria
Só vejo pela fresta da porta
o rastro de luz que anuncia o dia.
A noite inteira difícil, passada
De medos e preocupações repleta
Sentia passar por mim inquietada
Minha atriz filosofa predileta.
E dentro da minha sala escura
fugindo do novo alvorecer
banhado nesse rio que murmura
Sentindo o que restou de você.
Se bom foi estar sempre por perto
Sentir esse caloroso espetáculo
Dopado de sobriedade e de certo
Na sombra, no grito, vernáculo.
Difícil foi guardar dentro do peito
pulsante essa nova voz de esperança
Na sala em que eu fugia do amanhecer
Não fugia de sua mais doce lembrança.