Amanhecer

meu amor

é uma Flor silvestre,

rima todos os seus versos

com o eu e você

dela retiro o meu alimento,

sua pele aveludada

veste meu corpo como seda

isto para não me deixar nu

em noite de lua sonolenta

nossas línguas enfurecidas se alinham

para refazermos - entrelaçados,

velhos e conhecidos segredos

nossas mãos saem das trincheiras

e, com cordas de aço,

nos amarramos como visgo

que prende sabias incautos

seus veios e vãos,

me levam a acreditar que sou um deus

que me diz que sou louco

quando estou em sã consciência

nada é de mais ou de menos,

muito pelo contrário,

nos completamos como água e pote

que não derrama ou quebra

às vezes sou sol

às vezes ela é lua

e assim nos fundimos

ao meio-dia

com o cantar dos grilos

ou o coaxar dos sapos

vemos nossos corações quase estourarem

quando nos temos como macho e fêmea

assim seguimos

como amantes

lado a lado

no jardim da vida

Pedro Cardoso DF
Enviado por Pedro Cardoso DF em 22/05/2013
Reeditado em 15/12/2022
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