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Corvo

  Corvo
maria da graça almeida

Alheia, a ave, em voo a alongar-se,
perdeu-se do ninho, não soube voltar.
Na tarde serena, mirou suas asas
e das próprias penas montou nova casa.

Um pequeno ovo, no chão esquecido,
um ovo de corvo a ser aquecido...
Precioso tesouro em vala inda rasa,
 tal prata ou ouro, guardou sob as asas.

A ave,  em seu leito, com zelo o deitou
e, sem preconceito, com jeito o chocou.
Nascido o corvo, perfeito, ele sai,
assim feito o povo, levanta e cai.

Liberto do ovo, o novo estorvo,
 bizarro transtorno, estranha o pai.
E, num vão repente, fitando-o de frente,
o corvo, inclemente, extingue-o e se vai...

Quem não tinha vida, da vida tem mais,
quem lhe deu a vida inerte, então, jaz.
Do que ora digo, não escapa ninguém:
nem todos os que ama, o amam também.

  A ingratidão denigre o ser,
 estreita os caminhos, sombreia o destino;
é força cruel, não paga para ver,
 não poupa, nem mesmo, anseios franzinos.
maria da graça almeida
Enviado por maria da graça almeida em 10/11/2012
Reeditado em 26/11/2012
Código do texto: T3978485
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
maria da graça almeida
São Paulo - São Paulo - Brasil
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maria da graça almeida