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Vigília

     Vigília
maria da graça almeida

Se adormecer sentado
for a fórmula eficaz de dormir mal,
quedar-ser em pé  talvez seja
o princípio da insônia intencional.

Adormecida, morro em vida,
a cada minuto e hora,
sigo falante, por dentro;
vivo calada, por fora!

Acordada, sou o espectro
dissonante de mim,
sujeito oculto ou indeterminado,
um soldado de luto
pela luta  perdida,
na batalha insensata
da frenética guerra
entre ganância  e o conformismo.

Desperta, sou fantasma sombrio,
carente dos panos e das malhas
de um leito  alvo e macio,
que tão-só usufruiu
da dorida  concessão
de ter nascido da fornalha
de um deserto bravio,
entre o fio de duas navalhas,
sobre um  dromedário arredio.

 Na lucidez da vigília,
enxoto  males e danos,
leilôo os  meus  desenganos,
distribuo as  dores do fim,
dôo farrapos  humanos,
oferto as sobras de mim.
maria da graça almeida
Enviado por maria da graça almeida em 25/07/2012
Código do texto: T3795891
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
maria da graça almeida
São Paulo - São Paulo - Brasil
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