Mãe

Mãe, conheci o mundo

em parte

Observei-o e assustei meu olhar

Algo do mundo calou em meu peito

Daí quis ver a arte

Tentando forjar o meu particular

Mãe, estou desolado

Desse lado

Do lado dos absurdos de todo lugar

Vi quadros distorcidos

Artistas mortos em vidros

Olhavam do passado

E falavam ao meu olhar

Algo de tudo criou uma vaga escura

O que se apura?

Será que podem nos salvar?

Quero não as vagas frias

Manhãs sombrias no verão

Dando choques cinzas a nossa própria imensidão

Mãe, contenha-me

Deixa-me por um único instante voltar

Ao teu amado ventre

Que não obstante do porvir

Meus olhos vejam o cinza

Tornar-se alvo no meu coração

Lopes Neto
Enviado por Lopes Neto em 25/04/2012
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