Aos poucos sonhos e lembranças misturam-se 
Dentro de um tempo muito não existirá na história
Cidades inteiras apagar-se-ão em minha partida
Pois apenas tem vida em minha memória
 
Valores antes tão certos agora tão bobos
Não tenho mais a quem esperar
Foram-se a amada, um filho, todos os amigos
Mas alegro-me com quem há de chegar
 
Minhas vistas turvas teimam firmar em cenas borradas
Os passos firmes de outrora se arrastam diminuídos
As mãos que não se esqueceram o toque estão no colo largadas
Ainda guardo abraços nos braços enfraquecidos
 
Saiba que repousa em mim o antigo menino 
Ora salta ora medita em poesias retidas
A Alfazema tem inveja de um mimo 
Os Almíscares são gostas vertidas
 
Lembro-me de encostas que já não são
Muitos cursos foram alterados
Rios lindos consumidos na poluição
Grandes veredas e vales inundados
 
 
Superei muitos medos outros me venceram
Inventei recursos recusei discursos
Vivi plenamente não dormi demais
Meti os pés pelas mãos como todos os mortais
 
Já vivi tantos anos que às vezes confundo-me 
Penso tratar-se de outra vida a que ainda estou vivendo
Ela virá, eu sei
Mas enquanto não chega sigo aprendendo.
 
               Pedra Mateus
 
Homenagem ao meu querido pai, por seus 93 anos.
Frase original dita, com freqüência, pelo papai:
 
"Ela vai chegar, mas enquanto não chega sigo aprendendo e se for agora, vou contrariado" 
 
                          Vicente Bruno



Recadinho a todos os amigos recantistas: Estivemos afastados porque meu papai estava internado com uma grave pneumonia. Felizmente, ele encontra-se bem e em casa.
Beijos e girassóis de versos.
Estamos morrendo de saudades de todos vocês.


Pedra Mateus


 
André Fernandes e Pedra Mateus
Enviado por André Fernandes e Pedra Mateus em 28/06/2011
Reeditado em 22/03/2014
Código do texto: T3061593
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