Me ouça
Ao recolher as folhas que cairam de ti
Um outono inesperado.
Pode ser que seja intenso,
que retire um pouco do que foste
(vidas no conta gotas)
mas nada é eterno.
E perguntaste que horas tudo isso ia acabar,
Chuvas em setembro
E em julho elas voltam pela noite
E as folhas continuam no telhado,
gatos,gotas,pipas.
Tiveste longas caminhadas,sorriste ao ver
Por entre as lentes turvas,
Um braço estendido
E uma mão suplicando um simples encontro,
Uma saudação de almas companheiras.
Pediram que regressasse
E não fazia mais sentido estar naquela casa
Nem tentar guardar no peito
palavras,lembranças concretas,nem sensóriais
que ainda aqueciam seu corpo frio
Procure voltar para você mesmo,
A saudade nos retira pedaços vivos .
Os caminhos mudam de acordo,com a direção de seu olhar,
E agora parece ser dificil voltar
E assumir seu lugar sozinha.
E a cidade parece não descansar.
Recordações em branco e preto
E o passado que recolheste,
Hoje não faz sentido ser guardado,nem rememorado.
Flores enfeitam seu vestido vermelho.
Corpo,vida recuperada depois da ultima noite.
E parecia ainda ouvir seu velho amigo de madeira
Cantando Si tu n'étais pas la,
O salão continuava vazio mas aquela canção lhe fazia renascer...
E já não havia ninguém mas a valsar mas seu corpo envolto em notas,
Embriagada pela melodia mais lasciva existente
Bailava sozinho.