O MOSQUITO

Aquela jovem senhora

Estava na missa rezando

Quando um mosquito ateu

Sorrateiro veio chegando

Atraído pelos pudores

Dos seus pomos encantadores

A ele se mostrando.

Sem qualquer cerimônia,

O mosquito, num voo rasante,

Aterrissou em seus pomos

De maciez inebriante...

E como quem nada queria,

Ele entre os seios descia

Querendo ir mais adiante...

Durante o passeio do mosquito

Sob a roupa da jovem senhora,

Sua angústia ela disfarçava

E pedia à Nossa Senhora

Que aquele pequeno inseto

Fosse um pouco mais discreto

E se aquietasse naquela hora.

E enquanto ela pedia

A ajuda do Sacrossanto,

O mosquito por sua vez

Ziguezagueava tanto

Que aquela serva de Deus

Pedia que os apelos seus

Fossem esquecidos, por enquanto.

Mas percebendo os olhares

Que lançavam sobre ela,

Aquela jovem senhora

Resolveu não mais dar trela

Ao mosquito libertino

Que descia em desatino

Sob as vestimentas dela.

Foi aí que ela resolveu

Dar um fim à sua agonia:

Sobre a roupa ela apalpava

O mosquito que seguia

Sua trajetória sem receios

Que teve início lá nos seios,

Mas o destino não se sabia...

A contragosto ela prendeu

Com a ponta do indicador

Aquele inseto atrevido

Que lhe instigara o pudor

E levantou discretamente

A blusa e, finalmente,

Livrou-se do inseto pecador.

Joésio Menezes
Enviado por Joésio Menezes em 03/03/2011
Código do texto: T2827164
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