Súplica
Oh dor rebelde que me consome o peito,
Suplício amargo no sentimento oculto,
Horizonte aflito de sonho desfeito,
Deixando marcas, delineando o vulto.
Qual canto insone de vestígio feito,
No crepitar sonoro do pensamento estulto,
Nos traz tormento de perene aleito,
A recordar o tempo na terra insepulto.
À cada prece com ardor sentida,
Elevando ao alto o coração clemente,
Jorra esperança, traz paz vivida,
Esculpindo o pranto outrora pungente.
Qual doce alento, bálsamo da vida,
No peito pleno a pulsar ardente,
Afasta a dor d'antes carpida,
Transformando o pranto em canto dolente.