ATLÂNTIDA DESMENTIDA

Quem viaja não perde

O meu amor;

Na baía da Esperança

As nuvens anunciam

Tua chegada.

Os barcos que aproam

No cais ensombrado

Não vêm de Ceilão ou China.

Raio, pedra da lua ou andorinha,

Espero que teu silêncio não se diga-

Pois sob efeito das horas dorme o cais.

Na ponte encontrei rosas

Do último naufrágio,

E com a tinta das pétalas compus este lamento.

Não me fala nada o vento das tuas venturas

Nem meu coração responde em que momento

A maresia sussurra verdade ou nostalgia.

Mas a baía me abraça e sólida como uma prece

Cintila.

Amor que viaja não se perde-

Atlântida desmentida.

Senhora, onde está? Se está com vida,

Manda o céu mo dizer,

Que eu conto as ondas uma a uma-

Cada uma pesa um universo,

Fugindo circularmente do indefinível elemento do Tempo

Pelos meus dedos queimados.

Agora que as faixas douradas do sol surgem,

Parece que um outro mar, que desconheço,

Ecoa de dentro das conchas que recolho.

Nítidas máquinas, relógios sem ponteiros,

Sangue circulando sem coração-

Trama de saudade e destino.

O continente se prepara para zarpar.

...

Desta vez para sempre.

Filicio Albara
Enviado por Filicio Albara em 21/09/2010
Reeditado em 21/09/2010
Código do texto: T2511293
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