AS ASAS DE ÍCARO
Ícaro deseja voar, nas sinfonias ensolaradas de um futuro distante.
Curva-se à rainha fada, senhora dos contos que traz em seus braços os velhos sonhos azuis.
O fio do destino há muito se rompeu nas entrelinhas desses versos distantes
O descompasso conduz a dança solitária derrubando os pilares da modernidade
Rainha Fada! Os cavaleiros estão partindo levando nas mãos nossos sonhos
O Corcel encantado chora às margens de um lago cintilante de gelo
São nossas coisas, o balé dos cisnes revela o paradoxo dos raios sutis de uma sombra.
É quando Narciso chora diante do espelho a dicotomia esquizofrênica do consumo
Parece gentil rainha que os tapetes de estrelas por onde passavam nossas fantasias mais belas
Adentraram-se em um buraco negro sugadas e engolidas por uma lâmina discrepante.
As mais belas canções foram encarceradas pelos algozes tristes que dançam no fogo para esquecer...
...Que um dia sonharam, o sol sempre se põe para aqueles que se lembram para esquecer.
Ninguém mais ouve e entende estrelas a não ser aqueles que se aliaram à dor
Que cavalgam pelas madrugadas iludentes enfrentando florestas para resgatar a flor
Aquela rosa perdida que ficou em uma dessas esquinas, esmagada pela vastidão do tempo.
Só restaram espinhos que dia a dia insistem em perfurar nosso calcanhar
Tudo é efêmero assim como os Clones pensados para substituir nossos medos
Pensamos que enganamos o outro, mas só conseguimos enganar nosso espelho.
Admitir que somos personagens descartados no grande palco da vida
É como querer por um ponto final em uma história sem fim
As ondas vão e vem trazendo consigo as quimeras de corsários cítricos e amargos
E o desejo rainha fada de ver renascer antigos mitos faz de nosso coração um amálgama de ilusões
Enquanto andamos fazendo a marcha da rainha negra, individualistas e sozinhos.
Vamos aprendendo de dor em dor que o que não tem fim sempre acaba assim.