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Convite à meditação

Vamos, amigo... Hoje é Domingo...
O dia está tão lindo!
O vento sopra de mansinho e o céu azul
No descampado é mais bonito e muito mais azul!

Os horizontes lá, são dilatados!...
Rios coleiam pelos verdes prados,
Beijando o capinzal, as lindas flores,
Que por eles suspiram até morrer de amores..

À sombra do arvoredo, olhando o rio!...
Num dia claro assim, nesta manhã de estio,
Pensando em seu destino errante, fugidio...
Noss’alma fugirá por nosso olhar vazio...

E, qual o rio, solitariamente,
Solta dos elos da cruel corrente,
Sem peias vagará, tal como a brisa,
Que não se prende nunca ou se escraviza...

Os nossos corpos ficarão prostrados,
Como pedras ou troncos derrubados,
Sem desejo nenhum e sem poder sonhar...
(Pedra não sonha e nunca pode amar)

E, então, da solidão fria dos ermos,
Tranqüilidade e paz brotar veremos!...
Estranha sensação, desejo ardente
De ser fraterno e bom, condescendente,

Mesmo sabendo que a maldade impera
No coração do homem, feito fera!
(Pior que fera que na gruta mora):
Pensa e calcula; mata e não devora...

Quando, amanhã, cansado da jornada,
Vires o dia brincando na calçada!...
Trepando nas palmeiras e nos montes!
De azul pintando o céu e os horizontes!...

Um mundo novo sentirás, amigo,
Brilhando nos teus olhos, incontido
Nos estreitos limites de uma vida
Insensível, banal e introvertida...

E então verás, desassombrado e inquieto,
O quanto o mundo é belo e o “Arquiteto”,
Inigualável e inatingível esteta,
Artista! Construtor! Deus e poeta!

Uma janela se abre em cada canto!
No espaço sideral pintou o manto
Azul do céu e pôs no céu a lua,
A estrela e o sol a iluminar a rua,

Caminhos, matas, campos e montes,
Distâncias que se perdem em horizontes
Sem fim, azuis, além dos quais, suponho,
Se escondam as ilusões, os lindos sonhos

Que fugiram do mundo, inatingíveis,
Porque irrealizáveis e impossíveis...
E, amanhã, quanto tirares o olhar do asfalto
E olhares para o céu, olhares para o alto,

Um mundo novo sentirás em ti!
Estranhas emoções! Delírio e frenesi!
Vontade de gritar, escancarando a janela:
Homens! Amai, que a vida é boa e é bela!...

Vamos, amigo... Hoje é Domingo...
O dia está tão lindo!...


Agosto de 1964.
Antonio Lycério Pompeo de Barros
Enviado por Antonio Lycério Pompeo de Barros em 16/12/2008
Reeditado em 30/03/2009
Código do texto: T1337787
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Antonio Lycério Pompeo de Barros
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 98 anos
177 textos (6717 leituras)
22 áudios (289 audições)
32 e-livros (1568 leituras)
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