Pechincha
O velho pala de seda
Eu vendo por precisão
A bom preço de ocasião,
Facilito o pagamento.
A situação do momento
Me obriga a tal desatino.
- Que fazer se o meu destino
Remalha, tento por tento?
Não pude mudar as coisas
Mas creio em Deus e nos Santos.
Eu proclamo aos quatro cantos
Deste mundo a minha crença.
Do Pai me cabe a sentença
Por tudo aquilo que fiz.
Mas eu confio no Juiz
E isto faz a diferença.
Aguardo com ansiedade
Que transcorra este momento.
Que nunca um mau sentimento
Faça em meu peito morada.
A vida é a grande estrada
Onde só se anda pra frente.
Finda repentinamente,
Sem mais nem menos: Por nada.
Mas não há de serenata.
Buenos dias violão.
Os urubus de plantão
Para sempre vão ter fome.
Logo, a crise se some
E eu retorno apoderado.
Como bem diz o ditado:
-Não vou me entregar pros home!
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