TODOS OS ORIFÍCIOS DA PRAIA

O corpo dela indicou o rumo

e o clitóris foi estrela-polar.

O que chamam de prazer estalou

a madeira dos criados-mudos

e os amantes construíram seu possante barco,

sua carranca,

que ficou na proa para a proteção.

E navegaram.

Não foi água do mar aquilo que salgou

e não se apontou o norte,

mas o extremo,

o outro lado,

onde uma onda sísmica começaria.

E navegaram.

(Era tão oscilante

aquele amor cheio de dedos)

(Sem perceberem os amantes

apagaram as lâmpadas e os faróis

e sentiram que um encanto se aproximava).

(Tão inusitado pode ser um encanto amoroso no meio do oceano).

(Grande vagalhão pode ser o amor

no meio de um Caribe de umbigos).

Mas, de súbito, pararam o barco.

Naquela noite como crianças comovidas

apenas dormiram abraçados

dentro de uma boia.

Paulo Fontenelle de Araujo
Enviado por Paulo Fontenelle de Araujo em 06/07/2016
Reeditado em 03/12/2021
Código do texto: T5688862
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