SINA

Quando a terra bebe água

no sertão do Velho Chico,

ela se sente a amada,

entregasse: pleno cio.

A terra, mulher mal-amada,

contentando-se em satisfazer

abre em submissão suas fendas

para águas das nuvens receber.

Em sua derme raízes sedentas

que levam água à folhas que aparecem

em um abril de águas furtadas

numa seca verde onde sonhos desvanecem.

A terra olhado de cima

o rio que insiste em correr

lembra-se que é sua sina

sofrer , adormecer e rejuvenescer.