A CAMBONA DA VIDA

Chega com respeito

Carente por uma centelha

Meio que sem jeito

Como uma operária abelha

 

Sabe o valor com humildade

Aquece da base até seu peito

Matear na hora do aperto

Com um gaucho de verdade

 

Como o chimarrão e a brasa

Não escolhe um fim de tarde

É amiga em toda casa

 

Num galpão, ouve um causo

Num palácio serve a solidão

No chão, faz feliz o descalço

E na estribaria, esquenta o peão

 

A vida é brasa ligeira

E a Cambona não espera só

A alma alimenta a fogueira

O mate segura o tempo

Com a lembrança do firmamento

Enquanto o homem não vira pó!

 

Decimar Biagini