PRISÃO
O cabra quando não age
Se vê doido, sem saída
Pega a água mas não bebe
Não topa nem na comida
É uma agonia profunda
Querer trabalho e não ter
Querer mulher e não achar
Ser cantador e não cantar
Ser poeta e não escrever
Mais notável ainda
É que não há cela em sua frente
Não há algema em suas mãos
Não há corrente em seus pés
Mas justifica o seu lamento:
Nada lhe prende por fora
Sua prisão é por dentro