Galope à Beira-mar - Chuva
Eu durmo ligeiro ao som da goteira,
ao forte barulho que vem do trovão
que deixa no céu o enorme clarão
em plena seresta de uma sexta-feira.
Derruba a folha de certa fruteira,
o chão é batido pra água rolar,
nem vejo meu corpo na noite gelar.
Acordo na outra manhã e gripado
o peito chiando e muito cansado
tomando suspiro da beira do mar.
Tomava remédio e chá de cebola,
a calda viscosa do mel lambedor,
compressa gelada tirava calor
que me fez suar camisa e gola.
Ouvia repente na velha vitrola
que de tão antiga chegava chiar,
o cabra rimava até encaixar
o verso novinho que tinha criado
do homem famoso que foi aclamado
cantando galope na beira do mar.
União dos Palmares - AL
28/12/24